O que é Mindfulness?
Mindfulness, ou Atenção Plena, é a capacidade de prestar atenção ao momento presente de forma intencional, consciente e sem julgamento.
A definição mais reconhecida internacionalmente foi proposta por Jon Kabat-Zinn, professor emérito da University of Massachusetts Medical School e fundador do programa Mindfulness-Based Stress Reduction (MBSR):
A Ciência por trás do Método INBLISS
Uma abordagem fundamentada em evidências científicas
Como a INBLISS compreende a Mindfulness
Diferentes perspetivas científicas
Jon Kabat-Zinn foi responsável por integrar a atenção plena em contexto clínico através do programa MBSR, tornando-a amplamente reconhecida no meio científico.
O Método INBLISS
O objetivo é ajudá-las a desenvolver uma nova forma de estar consigo próprias, com os outros e com o mundo.
Os pilares científicos do Método INBLISS
Reconhecer
Consciência → pensamentos → emoções → padrões automáticos
O primeiro passo é desenvolver consciência.
Reconhecer pensamentos, emoções, comportamentos e padrões automáticos permite compreender aquilo que influencia as nossas decisões e a forma como reagimos às diferentes situações da vida.
- Jon Kabat-Zinn
- Lane & Schwartz
- Daniel Goleman
Regular
Atenção → respiração → regulação fisiológica → stress
- Brown & Gerbarg
- Jerath et al.
- Zaccaro et al.
- Matousek, Dobkin & Pruessner
Integrar
Repetição → aprendizagem → neuroplasticidade → novos padrões
- Donald O. Hebb
- Norman Doidge
- Investigação científica contemporânea sobre neuroplasticidade e mindfulness
O que diz a investigação científica?
- Melhor gestão do stress.
- Redução de sintomas de ansiedade.
- Desenvolvimento da atenção e da concentração.
- Melhoria da regulação emocional.
- Aumento da autoconsciência.
- Maior flexibilidade psicológica.
- Melhoria da qualidade do sono.
- Desenvolvimento da inteligência emocional.
- Promoção do bem-estar psicológico.
- Melhoria das relações interpessoais.
- Desenvolvimento de competências de liderança.
Compromisso com o rigor científico
Referências Científicas
Kabat-Zinn, J.
Jon Kabat-Zinn é uma das figuras centrais na introdução da mindfulness na medicina e na investigação científica ocidental. Desenvolveu o programa Mindfulness-Based Stress Reduction (MBSR) na University of Massachusetts Medical School, inicialmente aplicado a pessoas com dor crónica e problemas associados ao stress.
Referência:
Kabat-Zinn, J. (1982). An outpatient program in behavioral medicine for chronic pain patients based on the practice of mindfulness meditation: Theoretical considerations and preliminary results. General Hospital Psychiatry, 4(1), 33–47. DOI: 10.1016/0163-8343(82)90026-3.
Davidson, R. J.
Richard J. Davidson é neurocientista e fundador do Center for Healthy Minds da University of Wisconsin–Madison. A sua investigação inclui o estudo dos efeitos da meditação no cérebro, na regulação emocional e no funcionamento imunitário.
Num estudo realizado com Jon Kabat-Zinn e outros investigadores, participantes num programa de mindfulness de oito semanas apresentaram alterações na atividade cerebral e na resposta de anticorpos à vacinação contra a gripe. Os autores salientaram, contudo, a necessidade de investigação adicional.
Referência:
Davidson, R. J., Kabat-Zinn, J., Schumacher, J., Rosenkranz, M., Muller, D., Santorelli, S. F., Urbanowski, F., Harrington, A., Bonus, K., & Sheridan, J. F. (2003). Alterations in brain and immune function produced by mindfulness meditation. Psychosomatic Medicine, 65(4), 564–570. DOI: 10.1097/01.PSY.0000077505.67574.E3
Lazar, S. W.
Sara W. Lazar é investigadora na área da neurociência da meditação, associada ao Massachusetts General Hospital e à Harvard Medical School. A sua investigação utiliza técnicas de neuroimagem para estudar a relação entre a prática de meditação e alterações estruturais e funcionais do cérebro.
Um dos seus estudos encontrou uma associação entre experiência de meditação e maior espessura cortical em determinadas regiões cerebrais. É importante salientar que este estudo específico foi observacional, pelo que não permite concluir, isoladamente, que a meditação tenha causado essas diferenças.
Referência:
Lazar, S. W., Kerr, C. E., Wasserman, R. H., Gray, J. R., Greve, D. N., Treadway, M. T., McGarvey, M., Quinn, B. T., Dusek, J. A., Benson, H., Rauch, S. L., Moore, C. I., & Fischl, B. (2005). Meditation experience is associated with increased cortical thickness. NeuroReport, 16(17), 1893–1897. DOI: 10.1097/01.wnr.0000186598.66243.19.
Segal, Z. V.
Zindel V. Segal é um dos investigadores responsáveis pelo desenvolvimento da Mindfulness-Based Cognitive Therapy (MBCT), uma abordagem que integra princípios da terapia cognitiva com práticas de mindfulness.
A investigação de Segal, juntamente com Williams, Teasdale e outros investigadores, estudou a utilização da MBCT na prevenção da recaída em pessoas com histórico de depressão recorrente.
Referência:
Teasdale, J. D., Segal, Z. V., Williams, J. M. G., Ridgeway, V. A., Soulsby, J. M., & Lau, M. A. (2000). Prevention of relapse/recurrence in major depression by mindfulness-based cognitive therapy. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 68(4), 615–623. DOI: 10.1037/0022-006X.68.4.615.
Williams, J. M. G.
Mark Williams é um dos principais investigadores associados ao desenvolvimento da Mindfulness-Based Cognitive Therapy (MBCT).
No estudo realizado com Teasdale, Segal e outros investigadores, a MBCT foi avaliada como uma intervenção destinada a reduzir o risco de recaída em pessoas recuperadas de episódios recorrentes de depressão. O estudo incluiu 145 participantes e encontrou uma redução significativa do risco de recaída no subgrupo com três ou mais episódios anteriores de depressão.
Referência:
Teasdale, J. D., Segal, Z. V., Williams, J. M. G., Ridgeway, V. A., Soulsby, J. M., & Lau, M. A. (2000). Prevention of relapse/recurrence in major depression by mindfulness-based cognitive therapy. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 68(4), 615–623. DOI: 10.1037/0022-006X.68.4.615.
Teasdale, J. D.
John Teasdale foi uma figura fundamental no desenvolvimento da Mindfulness-Based Cognitive Therapy (MBCT). O seu trabalho procurou compreender a relação entre padrões de pensamento, depressão e recaída, contribuindo para o desenvolvimento de intervenções baseadas em mindfulness.
No ensaio clínico de 2000, Teasdale e os seus colegas avaliaram 145 pessoas recuperadas de depressão recorrente. Para participantes com três ou mais episódios anteriores, a MBCT reduziu significativamente o risco de recaída durante o período de acompanhamento.
Referência:
Teasdale, J. D., Segal, Z. V., Williams, J. M. G., Ridgeway, V. A., Soulsby, J. M., & Lau, M. A. (2000). Prevention of relapse/recurrence in major depression by mindfulness-based cognitive therapy. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 68(4), 615–623. DOI: 10.1037/0022-006X.68.4.615.
Langer, E. J.
Ellen J. Langer é psicóloga e professora no Department of Psychology da Harvard University. Desenvolveu uma abordagem própria ao conceito de mindfulness, conhecida como Langerian mindfulness, que enfatiza a atenção ativa ao presente, a abertura a novas possibilidades e a capacidade de reconhecer mudanças nas situações quotidianas.
A sua abordagem distingue-se da tradição contemplativa associada ao MBSR de Jon Kabat-Zinn e da MBCT de Segal, Williams e Teasdale. Na abordagem de Langer, a mindfulness pode ser desenvolvida através de exercícios mentais e de aprendizagem ativa, não dependendo necessariamente da meditação formal.
Um ensaio clínico randomizado avaliou um programa de mindfulness não meditativa, desenvolvido segundo a abordagem de Langer, destinado a pessoas com esclerose lateral amiotrófica (ELA) e aos seus cuidadores. O programa teve cinco semanas e incluiu 47 pessoas com ELA e 27 cuidadores. Os participantes que receberam a intervenção apresentaram, entre outros resultados, melhorias na qualidade de vida e reduções em indicadores de depressão, ansiedade e emoções negativas, embora os próprios autores classifiquem estes resultados como evidência preliminar, devido à dimensão relativamente pequena da amostra.
Referência:
Pagnini, F., Phillips, D., Haulman, A., Bankert, M., Simmons, Z., & Langer, E. (2022). An online non-meditative mindfulness intervention for people with ALS and their caregivers: A randomized controlled trial. Amyotrophic Lateral Sclerosis and Frontotemporal Degeneration, 23(1–2), 116–127. DOI: 10.1080/21678421.2021.1928707.
Para além da investigação diretamente dedicada à mindfulness, o Método INBLISS inspira-se em áreas científicas relacionadas, nomeadamente a neuroplasticidade, a fisiologia da respiração, a resposta ao stress e a consciência emocional. As referências desta secção constituem fundamentação científica complementar aos princípios integrados no método e não representam, por si só, estudos que comprovem diretamente a eficácia do Método INBLISS.
Hanson, R.
Rick Hanson é neuropsicólogo e autor na área da neurociência aplicada ao bem-estar. O seu trabalho explora a relação entre experiências repetidas, aprendizagem, emoções e neuroplasticidade, procurando compreender como a prática e a experiência podem influenciar o funcionamento do cérebro.
Referência:
Hanson, R. (2013). Hardwiring Happiness: The New Brain Science of Contentment, Calm, and Confidence. Harmony Books.
Doidge, N.
Norman Doidge é psiquiatra e investigador na área da neuroplasticidade. As suas obras apresentam casos e investigação relacionados com a capacidade do cérebro para se adaptar e modificar através da experiência e da aprendizagem.
Referência:
Doidge, N. (2015). The Brain’s Way of Healing: Remarkable Discoveries and Recoveries from the Frontiers of Neuroplasticity. Penguin Books.
O trabalho de Doidge é relevante para compreender o conceito de neuroplasticidade, mas não constitui evidência direta sobre a eficácia da mindfulness.
Hebb, D. O.
Donald O. Hebb foi um dos investigadores mais influentes da história da neuropsicologia. O seu trabalho contribuiu para o desenvolvimento das teorias modernas sobre aprendizagem, memória e alterações nas ligações entre neurónios.
Referência:
Hebb, D. O. (1949). The Organization of Behavior: A Neuropsychological Theory. Wiley.
A sua obra constitui uma referência histórica para o conceito de neuroplasticidade e aprendizagem neuronal, embora tenha sido publicada décadas antes da investigação científica moderna sobre mindfulness.
Respiração e regulação fisiológica
Brown, R. P. & Gerbarg, P. L.
Richard P. Brown e Patricia L. Gerbarg investigaram os efeitos de técnicas de respiração lenta e controlada sobre o stress, ansiedade e funcionamento fisiológico.
Os seus trabalhos exploram a possibilidade de determinadas práticas respiratórias influenciarem a regulação do sistema nervoso autónomo e a resposta ao stress.
Referência:
Brown, R. P., & Gerbarg, P. L. (2005). Sudarshan Kriya Yogic Breathing in the Treatment of Stress, Anxiety, and Depression: Part II—Clinical Applications and Guidelines. The Journal of Alternative and Complementary Medicine, 11(4), 711–717. DOI: 10.1089/acm.2005.11.711.
Jerath, R. et al.
Ravinder Jerath e colegas estudaram os possíveis mecanismos fisiológicos associados à respiração lenta e profunda, propondo que alterações na respiração podem influenciar o sistema nervoso autónomo e determinados mecanismos relacionados com a resposta ao stress.
Referência:
Jerath, R., Edry, J. W., Barnes, V. A., & Jerath, V. (2006). Physiology of long pranayamic breathing: Neural respiratory elements may provide a mechanism that explains how slow deep breathing shifts the autonomic nervous system. Medical Hypotheses, 67(3), 566–571. DOI: 10.1016/j.mehy.2006.02.042.
Zaccaro, A. et al.
Zaccaro e colegas realizaram uma revisão sistemática da investigação existente sobre respiração lenta e os seus efeitos psicofisiológicos.
A revisão analisou relações entre respiração lenta, sistema nervoso autónomo, atividade cardiovascular, atividade cerebral e regulação emocional.
Referência:
Zaccaro, A., Piarulli, A., Laurino, M., Garbella, E., Menicucci, D., Neri, B., & Gemignani, A. (2018). How Breath-Control Can Change Your Life: A Systematic Review on Psycho-Physiological Correlates of Slow Breathing. Frontiers in Human Neuroscience, 12, 353. DOI: 10.3389/fnhum.2018.00353.
Stress e regulação fisiológica
Pruessner, J. C. et al.
John C. Pruessner é investigador na área da psiconeuroendocrinologia, tendo desenvolvido trabalho sobre a relação entre stress psicológico, cortisol e funcionamento fisiológico. A investigação nesta área contribui para compreender a forma como o stress psicológico pode estar associado a alterações na resposta fisiológica do organismo.
Num estudo que avaliou os efeitos de um programa de Mindfulness-Based Stress Reduction (MBSR), foram analisadas alterações na resposta do cortisol associadas à prática de mindfulness. Os resultados sugeriram alterações na resposta fisiológica ao stress após a intervenção, contribuindo para a investigação sobre os possíveis efeitos da mindfulness na regulação do stress.
Referência:
Matousek, R. H., Dobkin, P. L., & Pruessner, J. C. (2010). Cortisol as a marker for improvement in mindfulness-based stress reduction. Complementary Therapies in Clinical Practice, 16(1), 13–19. DOI: 10.1016/j.ctcp.2009.06.004.
Consciência emocional
Lane, R. D. & Schwartz, G. E.
Richard D. Lane e Gary E. Schwartz desenvolveram uma teoria sobre os diferentes níveis de consciência emocional, procurando explicar como as pessoas reconhecem, diferenciam e atribuem significado às suas próprias experiências emocionais.
Este trabalho é relevante para compreender a importância da consciência dos estados internos, um conceito relacionado com práticas de atenção plena e autorregulação emocional.
Referência:
Lane, R. D., & Schwartz, G. E. (1987). Levels of emotional awareness: A cognitive-developmental theory and its application to psychopathology. American Journal of Psychiatry, 144(2), 133–143. DOI: 10.1176/ajp.144.2.133.
Goleman, D.
Daniel Goleman é psicólogo e autor amplamente conhecido pelo seu trabalho sobre Inteligência Emocional, explorando a relação entre consciência das emoções, autorregulação, atenção e comportamento. O seu trabalho é relevante para o Método INBLISS sobretudo no contexto do pilar RECONHECER, particularmente na identificação e compreensão dos estados emocionais e na capacidade de desenvolver maior autorregulação.
Referência:
Goleman, D. (1995). Emotional Intelligence: Why It Can Matter More Than IQ. Bantam Books.
